a arte fotográfica de j m f coutinho
J M F Coutinho é alguém para quem a fotografia, representando mais do que uma simples paixão, constitui uma ligação perene de amor. Membro de International Society of Photography (E. U. A), artista do Anuário das Artes de Espanha em 2003, artista do Museu da Fundação de Serralves e participante da Capital da Cultura em 2003, construiu um currículo invejável no que se refere a exposições, prémios, menções honrosas e representação em colecções nacionais e estrangeiras.
No entanto, é de salientar a sua acção como obreiro de ambiciosos projectos em que, mês após mês, por vezes semana após semana, se expôs, partilhou colectivamente imagens e lutou pela divulgação da arte fotográfica. Entre tais projectos destaca-se o " Photographya Project ", que envolveu 151 exposições individuais e colectivas com cerca de 174 participantes (profissionais e não profissionais) e promoveu exposições no Museu da Cidade de Coimbra – Edifício Chiado, na Galeria Almedina, no Instituto Português da Juventude, no áCapella, no Hotel D. Luís, no Claustro Bar, no Quebra Costas Bar, na São Francisco Galeria, no Quebra Club, na Focus, na Casinha Cor de Rosa, na Clave de Sol, no Link Cibercafé. Tal projecto foi desenvolvido sobretudo, na cidade de Coimbra, nos últimos quatro anos (entre 2003 e 2006).
J M F Coutinho surge agora com uma exposição individual no espaço expositivo da Albuquerque e Lima, apresentando trabalhos fotográficos apaixonantes do ponto de vista gráfico, da riqueza da composição e do tratamento da luz. A qualidade é comum a todos os trabalhos expostos com imagens excelentemente conseguidas sob o aspecto formal e que qualquer fotógrafo ambicionaria ter captado.
A personalidade do autor reflecte-se na sua obra. O seu carácter amável e sensível inspira, de forma marcada, a sua fotografia que, por mais experimental que procure ser, se enquadra sempre nos limites do melhor bom gosto sem resvalar para atentados estéticos ou grotestos provocadoramente snobantes. Ora desenha sentimentos utilizando a luz de forma subjectiva, oferecendo ao espectador a sua visão particular do objecto - praticando o que ele chama a sua filosofo-fotografia, ora esboça grafismos de espantoso design. Para quem o quer ouvir explica algumas das suas imagens mais conseguidas com uma grande simplicidade como se elas fossem obra do acaso. No entanto, qualquer iniciado em fotografia percebe que não pode ser aleatória a forma magistral como os pequenos pormenores são aproveitados, os subtis contrastes cromáticos são explorados e a simplicidade gráfica dos traços e das sombras é captada. Se parece obra do acaso é porque nas mãos de J M F Coutinho o aleatório é mais rico de sugestões que a maioria de complexas imagens doutros fotógrafos, mesmo daqueles a quem o sucesso já consagrou.
Em todos os seus trabalhos são evidentes o marcado sentido da composição, o posicionamento certo dos objectos no interior da moldura e a capacidade de cativar o olhar, construindo no expectador sensíveis empatias de prazer.
Mamede de Albuquerque, 1 de Janeiro de 2006