auto biografia de josé m f coutinho
Na adolescência, perdia o meu tempo
a contemplar, por muito tempo,
as fotografias que me agradavam de revistas e jornais,
sobretudo, no mundo das paisagens da natureza e a sua fauna,
do mundo da fome e da miséria no continente africano,
assim como da subtileza das imagens adultas e discretas,
que já havia nesse tempo, do mundo do nú feminino.
Em 1975 tive que fazer uma viagem forçada de abandono do país africano onde
nasci,
apenas com parcas coisas na bagagem,
não esquecendo algumas fotografias que me fascinavam na minha juventude,
e que, ainda hoje conservo, com a actualidade de que se revestem.
Fotografava desde a adolescência com máquinas descartáveis
e sentia-me frustrado com os resultados obtidos,
pensando que nunca seria como os outros fotógrafos.
Em 1993,
adquiri a minha primeira câmara fotográfica reflex, quando nasceu a minha
primeira filha.
Não se fez esperar a alegria com os resultados obtidos,
tendo fotografado sobretudo no seio da família mais de 15 000 fotografias
analógicas até 2000,
explorando timidamente outras temáticas do mundo da fotografia.
Na transição do século XX para o século XXI era um sonho desejado fazer,
a que pensava ser, a única exposição de fotografia da minha vida, que se
concretizou,
e que teve um feedback muito bom por parte do público,
servindo de incentivo a mais exposições que realizei.
Aproximei-me e envolvi-me em comunidades fotográficas,
vendo que a fotografia artística era subestimada, senão ignorada,
pois sentia que muitos amantes da fotografia possuíam valores estéticos e
artísticos, com mensagens muito profícuas,
relegadas para um segundo plano,
reflectindo-se na Arte da Fotografia.
Um a um, comecei a convidar vários amantes, amigos e amigas, da fotografia,
para participarem em exposições, dando origem ao projecto de exposições que
abracei desde 2003,
o “ Photographya Project ”, e que até 2006 contou com a participação de mais de
170 amantes da fotografia,
em mais de 150 exposições colectivas e individuais realizadas, sobretudo na
cidade de Coimbra.
A “photographya” é uma Arte, como a Filosofia e a Poesia, interminável…quer
queiramos, quer não…