
Ao conjunto, do texto sobre J M F Coutinho e à escolha de suas obras por parte do Dr. Telo de Morais, foi designado o " telo de morais project " com a permissão do designado em 8 de Julho de 2007. Para quem não conhece o Dr. Telo de Morais, é a maior referência do mundo das artes, na cidade de Coimbra pelo facto de ter doado à Câmara Municipal de Coimbra, a sua colecção privada de obras de arte, desde a pintura, a arte sacra, a arte chinesa e mobiliário antigo, avaliado em milhares de contos, no que hoje constitui a permanente exposição " Colecção Telo de Morais " que está patente ao público no Museu da Cidade - Edifício Chiado, em Coimbra.
Ordenando o caos...
Um facto que terá passado despercebido a muitos foi que no ano de 2002 se completaram dois séculos que Thomas Wedgwood, verdadeiro percursor, teve o talento de inventar a fotografia. Mas, como se sabe, coube a Niépce e a Daguerre, em1826, o mérito de porem em prática tão importante novidade.
Desde então, a fotografia, nas suas variadas técnicas e múltiplas finalidades, tornou-se companheira inseparável, mesmo obrigatória, na caminhada do Homem.
Quando, quase cem anos depois, surgiu o cinema, que consideraram a Sétima Arte, já a fotografia teria merecido tal distinção. Porém, com o decorrer do tempo, o génio humano conseguiu guindá-la a plano tão elevado que hoje ocupa, com toda a justiça, o lugar que lhe é devido entre as artes maiores. Caber-lhe-ia também no pensamento aristotélico sobre poesia, o mesmo tipo de “mimesis, não no sentido de imitação, de um duplo do real, mas numa hipérbole transfiguradora”.
Depois de subestimar a vulgaridade, a mediocridade, Paul Ricoeur em “ A Crítica e a Convicção”, diz: “quanto à fotografia de arte, também ela se propõe, mas com um custo mais elevado, libertar-se da imitação, da simples representação; também ela constrói o seu objecto, de algum modo, na reduplicação do real”. E, logo a seguir: “ A fotografia consegue surpreender as falhas desse laço tão subtil e os não-ditos dos ocos verbais”.
Curiosamente no campo da pintura portuguesa, Rocha de Sousa, Albuquerque Mendes e vários outros usam a colagem de fotografias nos seus trabalhos de técnicas mista, enquanto Helena Almeida sobre os próprios auto-retratos executa pinceladas de um “trompe-l´oeil” inovador de efeitos surpreendentes.
Consideramos José M. F. Coutinho um exemplo de amor e entrega à arte da fotografia. Quer como autor que frequentemente se apresenta em exposições individuais e colectivas, quer como promotor e responsável destas últimas. Na verdade, o seu espírito pródigo, de grande abertura e comunicabilidade, trato afável, fazendo dele pessoa estimada e digna de geral apreço.
Do seu vasto espólio afoitamo-nos a emitir alguns pareceres que julgamos pertinentes.
Dentre uma diversificado grupo de fina qualidade, recordamos a bela e luminosa originalidade de “Movimento da Noite”, a arquitectura despojada, resultante do enquadramento escolhido, de “Linhas e Trilhos” e “Parede com Luz”, numa linha de arte minimal.
Dos temas naturalistas, quantas vezes mal explorados pelo comum amador, porque o “Ver” é muito mais que o simples olhar, são exemplos “Gotículas do Amanhecer”, “…por essa noite fora…”, “O Mar e a Terra”, e essa obra notável , de rara craveira, intitulada “A Tradição, ainda se mantêm”.
Por inspiração nascente e servindo de complemento, José M. F. Coutinho enriquece cada trabalho com um texto que espelha as suas faculdades de sensibilidade e cultura, impelido pelo sonho que o anima, as janelas do Mundo, as sensações despertadas, as vertentes filosóficas de simbolização fotográfica. Sensações em que se pressente a carícia da Brisa, o eco das ondas, o perfume dos campos,…
O lema da carreira artística deste autor define-se , quanto a nós, em serenidade e paz, emoção que se preserva na Obra Criada, capaz de dar universalidade ao singular. Tarefa que não é fácil nesta hora em que se discutem os limites da arte. Razão tem Thierry de Duve quando afirma: “Num contexto em que qualquer coisa pode ser arte, é muito fácil fazer arte e muito difícil fazer arte de alta qualidade”.
José Manuel ordenando o caos do Mundo, tem sabido dar resposta a tal questão…
Telo de Morais, 11 de Outubro de 2004
Fotografias de edição única seleccionadas pelo Dr. Telo de Morais em 2006