reflexões - a fotografia na colecção j m f coutinho
A fotografia na Colecção J. M. F. Coutinho, situa-se na particularidade de interesses criativos profícuos e de envolvimento, e do cerne de intervenção do autor e mentor do projecto, apresentando obras em suporte fotográfico tradicional e digital, e a preocupação de mostrar uma linha de trabalhos de valores artísticos contemporâneos modernos.
A analise das fotografias é feita sobretudo tendo em conta a preocupação artística da mesma, do estudo da composição, do “punctum” da mesma, dos aspectos estéticos e artísticos da mesma, da ideia que é apresentada ou sugere, o confronto, o reconhecimento, a provocação, o estado de alma, o carácter documental, os percursos de inventariação e conhecimento do corpo, a preocupação com o espaço citadino, a poesia da subjectividade, os sentidos da natureza, o impacto visual, social ou objectivo, a composição, a plasticidade, a criatividade, a originalidade, a profundidade de campo, a cor, a iluminação, a mensagem racional ou sentimental, a técnica, ou o tratamento digital.
Uma fotografia é importante em tudo o que é dado a observar. Uma fotografia “tremida” pode ser considerada uma péssima fotografia mas pode ser bem concebida artisticamente. A manipulação digital de "photoshop" pode dar azo a uma leitura mais fraca junto de alguns apreciadores de fotografia, mas pode ser trabalhosa na manipulação do real. A leitura entre quem codifica e descodifica pode ser distorcida em situações contextuais diferentes. Muitas vezes uma fotografia tem “qualidade” porque chama a atenção , tem impacto e pode ser feita por uma câmara descartável. Na analise de uma fotografia a capacidade de olhar abstracta, neutra ou preconcebida é importante e estimula os sentidos. Na relação entre a forma de olhar de um observador e o autor da fotografia existe um factor comum de não dissociação da analise de uma fotografia. Um título ou uma descrição pode ser uma mais valia ou não, para a leitura visual de uma fotografia, havendo muitas vezes a necessidade de os autores explicarem as suas fotos para serem melhor compreendidas. Tradicionalmente uma fotografia pode respeitar a regra dos terços, como é conhecida na escola da fotografia, referenciando o equilíbrio, ou rompendo com as regras da composição, mostrando os aspectos genuínos tal como é (o caso de postes, antenas, e fios de electricidade) mostrando a realidade tal como ela é. Uma fotografia pode ser interpretada de múltiplas maneiras, quer no contexto “tecnicista”, quer no contexto de arte, quer no contexto da informação variada ou básica, quer na eficácia de economia de meios utilizada ou mais substanciada, enfim, na natureza dos sentidos apurados de quem as observa atentamente, ou pura e simplesmente na indiferença que é causada ao ver uma imagem.
Faz parte da formação cívica de quem " vê " a fotografia, dependendo de cada um o respectivo direito de " ver " como sabe, não desprezando, menosprezando ou enaltecendo outras " formas de ver ". Quem tem conhecimentos técnicos " vê " uma imagem dentro dos seus parâmetros tecnicistas. Quem explora a " criatividade " vê de acordo com estas formas do Olhar. Quem gosta de fotografias " com impacto " remete-se a essa identificação cultural sua, não é a melhor, não é a superior, embora queiram pensar que sim, não é a pior, é apenas uma forma de Olhar, apenas isso.
Não existe uma entidade padronizada para " ver " fotografia, cada observador vê a fotografia " como sabe ver ", tem uma sensibilidade, experiência, status cultural próprios, faz parte do background de quem vê, e é legítima toda e qualquer forma de " Ver ".