Utopia – Criança Niké
Ao José Marafona e ao JMF Coutinho
Cada um destes trabalhos que ultimamente tenho feito e que coloco no tema “Fotografia Conceptual” implicam sempre um problema ético – será que é fotografia conceptual o que estou fazendo? Será que as minhas expectativas correspondem à “ideia” daquele que considero o meu Mestre da fotografia conceptual, José Marafona? Hoje visitei uma galeria do José no Foto-Flash, aliás numa parceria com o MI. Na apresentação do seu trabalho notei alguma angústia (desculpe José) por este tipo de trabalho ser controverso, mas notei também a alegria do “fazer”. Entre a angústia da dúvida de outrém (não a própria) e o prazer da criação, assim percebi aquela apresentação.
Tal como o José Marafona, também o JMF Coutinho não precisa de apresentação aqui no MI e fora dele. As suas fotos têm a sua marca, o seu trabalho em prol da divulgação da Photographya, sobretudo em Coimbra, dizem da sua atitude de mais dar do que receber. Há uns dias o Zé Coutinho inseriu um post sobre Utopia e fotografia. Ainda não respondi nada, até porque as primeiras respostas acabaram por fugir àquilo que eu penso que ele queria, mas ainda lá hei-de voltar.
Utopia! U-topos, o lugar não! Marafona cria fotografia, mais que qualquer um de nós, ele é o criador de imagens, de espaços fragmentadores e unificadores. Contador de estórias através de farrapos, a sua obra leva-nos ao âmago da própria fotografia – quando a fotografia se transforma, ela própria, numa realidade nova, que só existe ali mesmo e em mais lado nenhum. É a Utopia!
José Manuel Coutinho, o seu trabalho em prol da fotografia é um Augusto sempre a tentar que a sua Eleonora se mostre ao mundo, sendo que esta Eleonora é a própria fotografia. Mas seria injusto falar do Coutinho e só referir o seu papel (excelente) de divulgador da fotografia. Até porque é um Art Photographer que transforma o que vê naquilo que sente. Também ele é Utopia!
Utopia! Talvez a fotografia conceptual esteja contida nesta ideia! Talvez a Utopia, a Ideia, seja o que se procure...
Neste trabalho liguei a criança à
vitória, liguei os afectos à ideia...
Não sei se é uma verdadeira fotografia conceptual, não se aproximará das
fotografias do José Marafona, mas também não é esse o meu intuito – talvez um
dia...
Também não sei se os dois Josés, o Marafona e o Coutinho irão ver esta foto, mas
asseguro que tudo o que disse é sentido.
Utopia, num universo que é só
meu...
Criança Niké, tal como a deusa, voa para a vitória num universo que é só meu...
E os afectos...
